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Por: João Ferreira, Principal e Head das operações da Assetz no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Centro-Oeste

A contratação de um líder de Finanças não se encerra na escolha do candidato. É nos primeiros meses em uma nova companhia que o sucesso — ou o insucesso — do profissional na empresa começa a se desenhar. Esse período de transição para um novo cenário é marcado por alta exposição, decisões relevantes e, muitas vezes, assimetria de informações entre o executivo e a organização. Ainda assim, é justamente nessa fase que se constrói a capacidade de gerar valor no médio prazo.

Nesse contexto, a mentoria executiva ganha grande relevância. Mais do que um espaço de troca, ela atua como um instrumento estruturado de suporte à tomada de decisão em um momento crítico, contribuindo para a curva de aprendizado do profissional e para seu alinhamento com a organização, além de mitigar riscos como integração desalinhada, decisões precipitadas ou a demora na captura do valor esperado da contratação.

Aplicamos a mentoria nos processos seletivos da Assetz desde o início da nossa jornada. Na prática, já observamos mentorias sendo determinantes para preservar posições e transformar profundamente a experiência de integração para ambos os lados, garantindo que todas as arestas de comunicação sejam aparadas. Listo, a seguir, mais algumas das vantagens proporcionadas por esse benefício aplicado aos executivos recém-contratados.

 

Apoio estruturado na transição e no onboarding

A entrada em uma nova posição envolve desafios relevantes: compreender a cultura organizacional, ler o time, alinhar expectativas com o CEO ou liderança direta e adaptar-se ao contexto estratégico. Esse cenário pode gerar inseguranças ao profissional recém-chegado, que, em um primeiro momento, tende a ter poucas oportunidades de troca.

Nesse contexto, a mentoria se estabelece como um espaço confidencial e estruturado para discutir dilemas, testar hipóteses e amadurecer decisões. Na prática, contribui para a redução de vieses, amplia o repertório do executivo e eleva a qualidade das escolhas — especialmente em cenários de incerteza macroeconômica ou sob pressão por resultados. Para que esse processo seja efetivo, é fundamental contar com um mentor experiente, com trajetória sólida e, preferencialmente, familiaridade com contextos ou setores semelhantes aos do mentorado.

 

Alinhamento entre empresa e executivo

Os programas de mentoria não se limitam à relação entre mentor e mentorado; é necessário um conhecimento profundo das necessidades da companhia. Na prática, é comum haver desalinhamentos entre a percepção da empresa sobre o desenvolvimento do executivo e o que, de fato, o profissional está absorvendo do contexto organizacional.

Nesse cenário, o mentor desempenha um papel-chave ao promover maior clareza entre as partes, ajudando a alinhar expectativas, leituras e prioridades. Como resultado, contribui para a redução de turnovers associados a desalinhamentos culturais — um dos principais fatores por trás da saída de executivos recém-contratados.

 

Aceleração de competências comportamentais

Se o domínio técnico é pré-requisito, o diferencial competitivo no topo da carreira passa por competências como influência, comunicação, gestão e visão estratégica. A mentoria pode ajudar o profissional a fortalecer esses pontos para ampliar sua capacidade de articulação e acelerar a leitura do profissional sobre a organização, sua política, valores, estratégias e objetivos.

Nesse sentido, as soft skills são fundamentais não só para compreender tudo isso, mas para colocar em prática as ações, visando atingir os objetivos conforme a linha de atuação da empresa, considerando que as habilidades técnicas do profissional já estejam todas à disposição. O mentor, já tendo ocupado o mesmo espaço ou semelhante, terá mais subsídios para indicar com clareza o caminho a ser seguido.

 

Ferramenta de retenção

Executivos de alto nível não são retidos apenas por remuneração. A percepção de desenvolvimento contínuo e investimento na carreira pesa de forma crescente. Programas de mentoria sinalizam que a empresa enxerga valor de longo prazo naquele profissional, está disposta a investir em sua evolução e oferece suporte para desafios complexos.

A experiência indica que isso aumenta o engajamento e reduz a probabilidade de saída, especialmente em momentos críticos da carreira e do ambiente macroeconômico. Ao incorporar esse suporte ao processo de contratação, a empresa amplia sua proposta de valor, reduz a percepção de risco do candidato e aumenta sua atratividade frente a outras oportunidades.

No processo de recrutamento, oferecer mentoria estruturada pode ser decisivo para atrair executivos mais qualificados. Em vez de competir apenas por salário ou bônus, a empresa passa a oferecer desenvolvimento personalizado, acesso a mentores experientes e suporte na transição e adaptação ao novo cargo. Para o profissional, esse tipo de “remuneração” reduz riscos de incursões frustradas e aumenta as possibilidades de ascensão na carreira.